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Introdução |
Planejamento Na primeira semana de agosto os seguintes objetivos foram estabelecidos conjuntamente pela SSP-RJ e a LIGHTSHIP BRASIL, para o programa "Um Olho no Céu":
A necessidade de observação em período noturno determinou a utilização de pelo menos um sensor térmico. As altas temperaturas do Rio de Janeiro indicaram a utilização de sensores de 3ª geração, devido à capacidade de operação contínua sem resfriamento. Entre as principais opções de fornecimento de sistemas de imagens, optou-se pela empresa norte-americana WESCAM, fabricante das câmeras que equipam os mais modernos equipamentos de reconhecimento aéreo das forças armadas dos Estados Unidos. Os sistemas escolhidos para teste foram: 12DS200; MX14TS; e MX15QS.
Durante o programa foi feito ainda uma análise de utilização dos sistemas SAPHIR, da empresa norte-americana FLIR e do sistema OLAS da empresa israelense IAI TAMAN. O planejamento dos pontos de vigilância - "gates", a partir dos 386 pontos fornecidos pela SSP-RJ, determinaram as distâncias de operação: mínima de 10 quilômetros; e máxima de 15 quilômetros. A partir dessas distâncias, foi identificada a capacidade de aproximação da câmera, bem como os fabricantes desse tipo de equipamento. A duração das etapas contínuas de vigilância (média de 5 e máxima de 16 horas) e suas imposições técnicas e orçamentárias, bem como os limites de vibração aceitos pelos sensores, veio determinar a opção pelo uso uma aeronave mais leve do que o ar como plataforma. Devido às suas excepcionais características de estabilidade aerodinâmica e baixa emissão de ruído, os dirigíveis constituem-se efetivamente em excelentes plataformas para a operação de delicados equipamentos eletrônicos, tais como sensores, que para sua operação exigem absoluta ausência de vibração. Além disso, a possibilidade de permanecer em vôo durante um longo período de tempo, sem necessidade de reabastecimento, torna esse tipo de equipamento como o ideal para as tarefas aéreas de pesquisa, observação científica e vigilância urbana. No Brasil, nossa empresa opera há mais de quatro anos um modelo A60+, perfazendo atividades de propaganda e filmagem aéreas. Trata-se do modelo de dirigível mais voado em todo o mundo, tendo sido testado nas mais extremas condições da Argentina até a Noruega.
Ao longo dos últimos cinco anos, os dirigíveis da Lightship Brasil voaram mais de 4.500 horas, visitaram o Paraguai, o Uruguai, a Argentina e ainda uma dezena de capitais brasileiras, percorrendo mais de 50.000 quilômetros. Identificou-se ainda a necessidade de atrair patrocinadores comerciais para o programa, como forma de reduzir o uso de recursos públicos no decorrer do programa. Considerando ainda o potencial da plataforma para a execução de tarefas nas áreas de controle ambiental, planejamento urbano e pesquisa científica, ficou estabelecido, como objetivo secundário, a utilização do sistema em prol de outras organizações governamentais, bem como de entidades acadêmicas. A SSP-RJ ficou encarregada de estabelecer os convênios para tal. Foi então firmada uma carta de intenção entre a SSP-RJ e a LIGHTSHIP BRASIL, para evitar atrasos na montagem da plataforma, dos sensores e do equipamento de transmissão de imagens. Em trabalho conjunto entre os consultores da LB e da SSP-RJ a estrutura básica do programa C3I foi adaptada aos padrões dessa última, para permitir o funcionamento no prazo mais curto possível e com o mínimo de alterações funcionais. O centro de operações foi reorganizado conforme o diagrama abaixo, de modo a absorver as atribuições do Centro de Operações de Sistema Integrado (COSI), já existente. Nesse local passaram a ser
instalados: os programas de coordenação de operações;
as unidades de alocação dos centros operacionais (COPOM,
CECOPOL e Defesa Civil); os recursos de imagens das diversas fontes; e
os equipamentos de radio transmissão. Tendo em vista a impossibilidade de linha de visada direta a partir de todas os pontos de vigilância para o COSI, foi instalado um enlace fixo de microondas na estação de antenas do Sumaré e na laje do prédio da SSP-RJ. As subsecretarias de planejamento e inteligência foram escolhidas respectivamente como origem e destino de análise das informações geradas pelo sistema. Essas seções ficaram encarregadas de distribuir o produto final pelas organizações usuárias do programa. Foi criada uma seção de coordenação de operações aéreas (SCOAD), interligando a SSP-RJ e a gerência de operações da LB. As diversas organizações policiais e de defesa civil foram classificadas como usuárias do programa e seus centros passaram a constituir o banco de alocação de meios do COSI. Para sistematizar o fluxo de informações do programa, foram criados os seguintes documentos:
A figura a seguir ilustra o esquema de funcionamento do programa.
A aeronave SN014, que se encontrava em conteiner no Porto do Rio de Janeiro para devolução aos Estados Unidos, teve seu processo de exportação suspenso e foi transportada para o hangar da Base Aérea de Santa Cruz, onde foi remontada em 23 dias por técnicos do fabricante. As empresas fabricantes de equipamento de geração e transmissão de imagem e sensoriamento remoto, pediram, sem exceção, um prazo mínimo de 90 dias para obter liberação de exportação junto ao governo norte-americano. Como alternativa, a empresa norte-americana WESCAM ofereceu o uso imediato de uma câmera 12DS200 FLIR/CCTV, que já se encontrava em território nacional para demonstração, e que permitiria iniciar as operações sem prejuízo à avaliação do conceito, muito embora não se constituísse no equipamento ideal. A contingência da câmera obrigou ao replanejamento dos pontos de vigilância (gates), com a redução das distâncias de segurança contra armamento manual, inicialmente calculadas. Ainda assim, os parâmetros de alcance máximo ficaram baseados na eventual utilização do fuzil AK-47 com munição NATO 7,62. A gôndola recebeu preventivamente uma camada de proteção (kevlar) para testes iniciais. Posteriormente essa camada foi retirada, tendo em vista a comprovação da segurança nas distâncias calculadas. A câmera 12DS200 foi instalada em 3 dias e os operadores de imagens, pilotos em formação, receberam treinamento no manuseio do sistema durante 10 dias, ministrado pelos técnicos do fabricante. Em 1º de Setembro foi feita a inspeção de aceitação da plataforma pela SSP-RJ e 4 dias depois iniciados os teste de calibragem aérea. Após a primeira semana de operações a câmera 12DS200 foi substituída por um modelo mais moderno e em posteriormente foi instalada a câmera MX14QS, equipamento considerado ideal para o programa, sob supervisão de um funcionário do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. O equipamento para o enlace fixo de microondas foi importado pela LB e instalado por técnicos da WESCAM em 11 de setembro. A montagem física do centro de operações foi concluída pela SSP-RJ ao final de setembro, passando desse modo o sistema a operar com capacidade plena, conforme descrito no capítulo seguinte. |