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Introdução |
Fase de Operações Descrição O problema consistia em vigiar os 386 pontos especificados pela SSP-RJ com uma aeronave mais leve do que o ar - dirigível, dotada de meios eletrônicos de vigilância. A aeronave, PT-MKJ, foi colocada no hangar da BASC, em agosto de 2002, e foram iniciados os trabalhos de montagem, retirada dos decalques, inspeção anual de manutenção e outras ações necessárias para a aeronave voltar a operar. Depois de escolhida a plataforma era necessário estabelecer a quantidade, o tipo de tripulantes e o treinamento a ser dado a cada um. Nesse aspecto, face ao contrato de 336 horas mensais, foi estabelecido que seriam necessários 03 pilotos, um número mínimo igual de operadores de câmera, um mecânico e 17 funcionários de terra. Essa equipe foi estabelecida para permitir o funcionamento em dois turnos de 6 horas de vôo diárias. Ainda foi criada uma equipe de sobreaviso para atender as solicitações excepcionais da SSP-RJ com a capacidade de operar em 90 minutos depois de acionada. Com a indisponibilidade de pilotos de dirigível no mercado nacional (existem apenas 3 pilotos qualificados no Brasil), foi acertada a vinda de 2 pilotos estrangeiros, para permitir a realização do programa. Essa operação foi autorizada pelo DAC por 90 dias, conforme a legislação em vigor. Foram contratados dois pilotos brasileiros para o programa. O piloto-chefe, no início da operação, e um piloto de linha, a partir do segundo mês. Foi decidido que seriam contratados 08 operadores de câmera, todos pilotos, que receberiam treinamento de vôo para se qualificarem "pilotos de dirigível" ao final da operação. Foi feita uma pesquisa de mercado para a seleção de operadores de câmera (pilotos em treinamento), cujos requisitos iniciais eram carteira de piloto comercial, no mínimo 500 horas de vôo e conhecimento de língua inglesa. O recrutamento foi feito através da Internet. Mais de 150 currículos foram analisados e 16 alunos foram convocados para o curso teórico de A-60+ ministrado pelo piloto-chefe da companhia, nos dias 20, 21 e 22 de agosto. Após o curso teórico foram selecionados 8 alunos de acordo com o desempenho no treinamento, experiência anterior e conhecimento de inglês. Os escolhidos, já às vésperas do início do contrato, foram classificados como pilotos-alunos e receberam treinamento sobre o equipamento de filmagem, ministrado por técnicos estrangeiros. Este treinamento envolveu aulas teóricas e práticas em vôo. O treinamento de vôo ocorreu durante todo o contrato de acordo com o programa de instrução estabelecido pela companhia, em consonância com os regulamentos do DAC e culminou com o cheque e a qualificação de quatro novos pilotos de dirigível. A vigilância foi montada a partir da seleção de pontos de observação, "portais", posicionados por toda a cidade, seguindo as rotas de vôo e o mais afastado possível de pontos de convergência do tráfego aéreo.
No mapa acima, os pontos a serem vigiados são indicados por estrelas e os "gates" por setas. A altura da aeronave foi estabelecida de acordo com o alcance do armamento mais utilizado pelos criminosos com munição 7,62. Desta forma, a aeronave esteve sempre posicionada de maneira a preservar sua integridade em qualquer fase do vôo. O planejamento dos portais e das distâncias de segurança foram absolutamente acertados, uma vez que o dirigível não sofreu qualquer tipo de impacto durante todo o decorrer do programa. Vale acrescentar que as tentativas de derrubar o dirigível foram constantes. Os procedimentos de acionamento em vôo e modificação das missões em andamento foi planejado em comum acordo com a SSP-RJ e funcionou a contento por toda a atividade. Estatística Para cumprir o contrato de 336 horas operacionais mensais foram estabelecidos dois turnos diários de 6 horas de vôo. Nesse contexto a horas voadas foram: 349 em setembro; 355 horas em outubro; e 343 em novembro. Foram 30 dias no mês de setembro, com 60 etapas de vôo e apenas 3 abortivas meteorológicas. Em outubro foram 31 dias de vôo, com 62 etapas e apenas 4 abortivas meteorológicas. Em novembro foram 30 dias de vôo, com 65 etapas e 5 abortivas meteorológicas. Vale notar que as abortivas não impediram a realização das missões em sua totalidade, pois os vôos foram quase sempre realizados em áreas onde as condições eram mais favoráveis. As taxa de missões abortivas ficou abaixo de 5%, demonstrando a inegável adaptação da plataforma e sensores ao tipo de operação, continuada e diária, que foi planejada e executada durante todo o programa. Não houve abortiva por problemas técnicos ou mecânicos. Cronologia Apresentaremos a seguir uma seqüência de eventos que antecederam o projeto para uma melhor visualização de todo os passos de preparação e planejamento. 29-jul-02 reunião na SSP-RJ - comunicação, locais de vigilância, etc 31-jul-02 PT-MKJ no hangar pronto para operação de retirado do decalque 01-ago-02 início dos trabalhos de inflagem 05-ago-02 1ª reunião no SRPV RJ sobre a operação Um Olho no Céu 07-ago-02 reunião SSPI 07-ago-02 final da inflagem de teste, retirada dos decalques, início da montagem da gôndola e dos equipamentos 08-ago-02 início dos trabalhos de preparação do curso teórico - "ground school" 09-ago-02 1ª reunião com pessoal da WESCAM 09-ago-02 visita ao COPOM 11-ago-02 início inspeção preliminar 12-ago-02 início das entrevistas de seleção de candidatos a operadores de câmera 13-ago-02 contatos com a WESCAM referentes ao link de microondas 14-ago-02 reunião para definição da base de operações 15-ago-02 início do planejamento do plano de operações com a SSP-RJ 16-ago-02 visita ao CECOPOL 18-ago-02 inflagem com gás hélio 20-ago-02 ida ao Sumaré para escolha do "site" 20-ag0-02 inspeção anual de manutenção - IAM 20-ago-02 início do curso teórico 23-ago-02 final do curso teórico 26-ago-02 instalação e cheque da câmera 26-ago-02 palestra no CBMERJ 28-ago-02 reunião na SSP-RJ - apresentação
à imprensa, visita a SBSC 29-ago-02 Roll Out SBSC 30-ago-02 reunião SRPV RJ para definição dos portais 30-ago-02 "briefing" do vôo de apresentação com escolta do GAM - helicópteros e lanchas 30-ago-02 vôo de experiência PT-MKJ 01-set-02 reunião SSP-RJ sobre equipamento de comunicação, rádios criptografados e enlaces de comunicação 01-set-02 apresentação do PAX RIO ao Exmo. Sr. Secretário de Segurança 02-set-02 trânsito CAER 05-set-02 apresentação Estado-Maior do Exército Brasileiro 06-set-02 reunião SSP-RJ plano de operações e indicação dos CAP 09-set-02 reunião SSP-RJ - comunicação e treinamento de CAP 12-set-02 reunião com chefe do COPOM 18-set-02 planejamento de vôos na Barreira do Vasco 19-set-02 teste final do sistema na Barreira do Vasco 30-set-02 reunião SSP-RJ plano de operações. Óbices Os principais óbices operacionais no início das operações foram: a falta de pilotos; o treinamento dos operadores de câmera; e a comunicação aeronave - sala de controle. A falta de pilotos qualificados em dirigíveis foi solucionada com a vinda de pilotos estrangeiros e a contratação de outro piloto brasileiro após intensa negociação. O DAC autorizou 2 pilotos estrangeiros da "The Lightship Group" - TLG a voarem no Brasil, nessa atividade por 90 dias, de acordo com o Código Brasileiro de Aeronáutica, em face da inexistência de pilotos habilitados, com a missão de ministrar instrução de vôo. O pedido foi feito ao DAC no dia 15/08/2002 e foi exigida uma declaração do FAA/TLG informando que os pilotos em questão eram habilitados a ministrar instrução em aeronaves do tipo dirigível. Todos os operadores de câmera fizeram o curso teórico e prático de pilotos de dirigível de forma a criar uma massa crítica para operações futuras. Ao longo do processo um dos pilotos em treinamento pediu afastamento e outro foi afastado por problemas de ordem operacional. A operação continuou com os outros 6 alunos sem problemas. A operação da câmera foi um ponto inicial de atrito. A intensa movimentação da câmera em vôo causou sérios problemas de identificação de pontos e controle das atividades no solo. Treinamento específico foi realizado com as tripulações e as orientações passaram a ser por escrito, observando sempre as críticas do COSI. A base foi o mesmo princípio aplicado na identificação de alvos terrestres e a orientação de aeronaves para a visualização e posterior emprego de armamento. Técnicas militares de Controle Aéreo Avançado e de identificação de alvos foram ensinadas e treinadas. Outro entrave foi o conhecimento das áreas a serem vigiadas. Nomes de favelas, becos e outros logradouros não constantes dos mapas da cidade, Guia Rex, Guia Quatro Rodas, etc foram difíceis de serem localizados. A divisão da cidade em quadrículas e a experiência adquirida pelas tripulações facilitaram sobremaneira a realização das missões. O GPS disponível na tela foi de grande valia para a navegação e a orientação das equipes. O posicionamento em alguns "gates" causou atrito com os órgãos de controle de tráfego aéreo, em especial na área do Complexo do Alemão. Uma reunião com o SRPV RJ e com os membros do APP RJ foi suficiente para estabelecer um padrão de operação e permitir a vigilância desses pontos sensíveis. A colaboração dos órgãos de controle de vôo e da Aeronáutica foi primordial para a consecução das operações aéreas. A comunicação bilateral com as forças de superfície foi um assunto de intensa discussão, avaliação e estresse. O equipamento rádio fornecido pela SSP-RJ, apesar de funcionar adequadamente, por suas características portáteis, falta de potência e falta de uma antena mais específica no dirigível, não apresentou o rendimento esperado. Isto gerou grande ansiedade, tanto no COSI, quanto nas tripulações. Procedimentos de coordenação envolvendo equipes de solo foram estabelecidas de forma a manter a comunicação bilateral o tempo todo. Isso foi feito através de uma rede de telefonia privada, rádios de comunicação em freqüência aeronáutica e um elevado grau de planejamento em cada missão. Os telefones celulares não funcionam na altitude de vôo estabelecida para as missões, o que causou maior dificuldade. A freqüência aeronáutica estabelecida para a Lightship Brasil foi interceptada pelos criminosos e foi, por diversas vezes, bloqueada e utilizada para o envio de ameaças aos integrantes da empresa. Para coibir essas ameaças, codinomes e senhas foram estabelecidas para evitar a identificação dos tripulantes e impedir o completo conhecimento da operação. Os resultados foram satisfatórios. Aspectos Operacionais O dirigível mostrou-se ideal para esse tipo de operação. Sua grande autonomia, espaço interno, ausência de vibração e barulho foram preponderantes para o sucesso das missões. A elevada disponibilidade foi confirmada durante todo o período e as inspeções de 50/100 horas foram efetuadas nos intervalos das missões, notadamente no período noturno, de forma a não interferir no planejamento operacional. A estabilidade da plataforma propiciou a produção de imagens claras, estáveis e de alta qualidade, principalmente no período noturno. Foram produzidas mais de 800 horas de gravação nas diversas áreas determinadas pela SSP-RJ. O planejamento de consumo de hélio, no início da operação, apesar de sobrepujado no primeiro mês de vôo, mostrou-se adequado nos meses subseqüentes e demonstrou claramente a viabilidade operacional nesse aspecto. Além disto, a possibilidade de operar em áreas não preparadas foi fator importante para o planejamento e condução de todas as atividades. A base operacional no Clube de Aeronáutica, na Barra da Tijuca, foi conveniente sob vários aspectos. Primeiro, por ser uma área de controle militar e posicionada em campo aberto, o que possibilitou a operação mesmo sob condições adversas. Em segundo lugar, por localizar-se em posição central dentro do município, o que tornou fácil e rápido o acesso a todos os pontos da cidade. Importante citar a permanente presença
de equipes da PM na área de pouso da aeronave para fazer a segurança
do equipamento e das pessoas presentes na área, 24 horas por dia,
7 dias na semana. Sensores Os sensores CCTV e IR de última geração, trouxeram o estado-da-arte em tecnologia de vigilância para as operações policiais na cidade do Rio de Janeiro. A nitidez das imagens coloridas da câmera de TV aliada às inéditas imagens IR da cidade foram o ponto alto de todo o trabalho. O alcance da câmera MX14TS da WESCAM foi um fator de diferenciação. O "spotter" com lente de 955mm permitiu visualizar rostos, placas de veículos e forneceu subsídios para o indiciamento de criminosos. As imagens noturnas, IR, que com a capacidade de apresentação em 3 tipos de campo de visada trouxeram uma enormidade de informações para a Secretaria tornaram as operações policiais noturnas mais seguras e bem direcionadas. A possibilidade de vigilância à noite em meio à densa vegetação, na mais completa escuridão, foi artifício de enorme valia nas diversas operações policiais executadas com o apoio do PAX RIO. A capacidade de "enxergar" através da copa das árvores abriu a possibilidades ainda inexploradas pela polícia. A vigilância à distância, sem comprometer a cena, permitiu uma enorme flexibilidade ao organismo policial, além de trazer para perto das autoridades a intensidade das missões da Polícia e o comandamento direto das ações. A transmissão em tempo real da imagens para o centro de controle, COSI, permitiu um maior controle e integração operacional de todo o aparato da SSP-RJ, trazendo maior flexibilidade nas ações, economia de meios e rapidez nas decisões. Ao permitir também a presença de outras autoridades, que não as da SSP-RJ, o sistema integrou em todos os níveis a segurança do Estado, trazendo as fronteiras da estratégia para o campo operacional. Infra-estrutura Operacional O COSI, com pessoal qualificado, meios de comunicação adequados e capazes de interligar todo o aparato policial e de defesa civil demonstrou ser o ponto mais importante do sistema. Nesse aspecto, a impossibilidade de funcionamento do COSI em tempo integral com pessoal qualificado e treinado para realizar a coordenação das operações, assim como as dificuldades para a implementação da SCOD na SSP-RJ trouxeram prejuízos ao funcionamento do sistema C3I. Quando da montagem inicial do COSI a idéia era, durante a fase experimental, integrar apenas a PM. Com as discussões e a análise da estrutura policial do Estado do Rio de Janeiro viu-se que era possível colocar outras agências para trabalhar em conjunto e se beneficiar dessa nova ferramenta de vigilância. A falta dos CAP, militares e civis com experiência de campo, que seriam treinados na condução do PAX RIO e de seus sensores, não permitiu a perfeita avaliação das possibilidades do sistema implementado O treinamento incluía noções básicas da atividade aeronáutica e de operação de aeronaves mais leves que o ar, fraseologia operacional, treinamento específico em identificação de objetivos através das imagens aéreas, interpretação de imagens, técnicas de direcionamento da plataforma e de navegação GPS. Esse treinamento seria implementado com sessões de aulas teóricas e práticas com o dirigível, assim como material de treinamento individual fornecido em meio digital. Operação As missões nasciam de acordo com as solicitações da SSPI, SSINT e eram coordenadas pelo DGCPO, no COSI. Após o recebimento dos formulários 100, o plano de operações semanal, uma ordem de operações era estabelecida, formulário 101, e aprovada pela SSP-RJ. Essa ordem era dividida em ordens de missão, formulários 102, e entregues às tripulações para planejamento e vôo. Essa atividade foi desenvolvida manualmente no início e depois foi estabelecido um programa que editava e imprimia os formulários de acordo com a inserção de dados na SSP-RJ e na LB. Os dados eram transmitidos via internet utilizando protocolos seguros com criptografia. Após a realização das missões um relatório, formulário 202, era preenchido e enviado à SSP-RJ juntamente com a fita da missão, quando solicitada nas missões secretas e contingenciais. Modificações e contingências eram conduzidas através dos formulários 104, ordem de missão contingencial, e 105, ordem de missão secreta. Assim, as diversas agências foram transformadas em usuários, as unidades em meios, os setores da SSP-RJ em agentes coordenadores de todas as operações, com centro na SSPI. Foi criada a Seção de Coordenação das Operações do Dirigível, dentro da SSP-RJ, que integrava todos os setores de acordo com os formulários citados acima. A operação foi planejada e montada para ser conduzida em dois turnos diários de 6 horas de vôo operacional, em horários a serem estabelecidos em conjunto com a SSP-RJ semanalmente. As equipes foram distribuídas de maneira a operar sem solução de continuidade, conforme a legislação em vigor, e permitindo o contingenciamento de ações em caso de necessidade. Equipes de sobreaviso foram criadas para atender as contingências em 1 hora e 30 minutos depois do acionamento. O início das missões acontecia com um briefing meteorológico e acerto específico com os órgãos de controle de tráfego para estabelecer o adequado padrão de vôo. A seguir, após a decolagem, o equipamento
de transmissão de imagens era ligado e o contato inicial com o
COSI era estabelecido para o prosseguimento da missão. A partir
deste momento, o PAX RIO continuava suas atividades normais de patrulhamento. Em casos especiais, o contato rádio com equipes no solo era estabelecido para permitir uma melhor coordenação das operações e maior rapidez na transmissão das informações obtidas através dos meio eletro-óticos e termais de vigilância. Nesses casos, o COSI atuava como centro de coordenação com outras unidades. Em alguns casos ainda, houve participação de um coordenador de ações policiais a bordo do dirigível, sempre que a delicadeza da missão não permitia o risco de comunicações entre a plataforma e o COSI. Documentação A documentação foi produzida pela LB e constou de manual de operação sistema, meios necessários ao funcionamento do COSI, regras de operação do PT-MKJ, manual de observação visual. Todos os equipamentos estrangeiros vieram acompanhados de manuais de operação e manutenção. Hardware O hardware de funcionamento do sistema no COSI foi fornecido pela WESCAM juntamente com o sistema de transmissão de dados. Inicialmente o sistema IR apresentou um problema de superaquecimento ocasionado pela intensa utilização. O problema foi solucionado com a troca completa da câmera. Em seguida o equipamento de microondas apresentou defeitos aleatórios de variadas formas, culminando com a queima da caixa de controle do transmissor na base da antena. Essa falha foi ocasionada por uma descarga elétrica durante uma tempestade e o problema foi solucionado através da remessa de uma nova caixa dos EUA e a substituição da peça defeituosa. O equipamento funcionou a contento até do dia 15 de novembro 2002, quando, após uma outra tempestade, o mesmo apresentou um problema na configuração. O "setup" foi refeito por técnicos americanos, utilizando-se conexões de Internet. As especificidades do sistema, as freqüências definidas para os enlaces aéreos e fixos foram estabelecidas em acordo com a SSP-RJ e estabeleciam uma autorização de uso de freqüência de TV cedida para a TVE. A empresa americana, WESCAM, montou os transmissores, receptores e antenas de acordo com a solicitação, e dentro da faixa que foi fornecida Software O software foi fornecido pela WESCAM sem que houvesse nenhuma documentação anexa para a operação. O sistema é de fácil compreensão e operação e pessoal da LB foi treinado em todos os passos do sistema o que permitiu a operação e o funcionamento do sistema sem maiores problemas. A conexão e a transmissão eram feitas de forma totalmente automatizada e controladas por um PC localizado no COSI. Centro de Controle O Centro de controle foi idealizado de acordo com os mais avançados centros C3I do mundo e seguindo conceitos militares. A sala continha imagens dos sensores do dirigível PAX RIO, imagens das câmeras da CET RIO, imagens de televisão, imagens fornecidas por software da PM indicando a posição geográfica das viaturas policiais, rádios de comunicação criptografados, banco de dados digital, sala de assistência VIP, enfim, todos os meios necessários para prover a adequada coordenação das ações policiais. Nesse centro, o Coordenador de Ação Policial, CAP, com a visão em tempo real das imagens do dirigível monitorava todas as atividades em andamento nas áreas vigiadas, e, com os meios de comunicação e de coordenação com as demais organizações envolvidas, Polícia Civil, Defesa Civil, Meio-Ambiente etc, controlava, alocava meios e interferia, sempre que necessário, no comando das ações. Essa condição, caso implantada adequadamente, permite um amplo controle de operações especiais, em terrenos de difícil acesso, assim como a coordenação e o comandamento direto de atividades à distância, com a possibilidade da presença de autoridades policiais, judiciárias e estaduais no Centro de Operações. O desenho da sala foi sugerido pela empresa e adaptada de acordo com as possibilidades da SSP-RJ e de acordo com o espaço disponível, de forma muito funcional. Equipamento de Transmissão O equipamento de transmissão montado no dirigível, um SKYPOD V, da WESCAM, é uma das mais avançadas antenas de transmissão de imagens e é utilizada mundialmente em atividades de vigilância e televisivas. Essa antena ominidirecional incorpora um GPS que identifica a posição da aeronave e sua altitude e informa esses dados para o cliente no solo. Esse sinal é perseguido e assimilado por uma antena "PRO TRACK", também da WESCAM, que recebe os sinais do dirigível e as envia para outra antena, tipo parabólica", instalada no Sumaré, que, através de um enlace de microondas de alta freqüência, as enviava para o COSI, no prédio da SSP-RJ. Todo esse sistema operou de forma automática e foi controlado diuturnamente por um computador também localizado no COSI, na sala de controle. Coordenação A coordenação das operações era feita pelos CAP, oficiais PM com grande experiência de campo e conhecimento da estrutura policial do Estado do Rio de Janeiro. Essa atividade era desenvolvida através de linhas dedicadas que conectavam o COSI com o COPOM, o CECOPOL e o Centro de Controle da Secretaria de Defesa Civil do Estado. Assim sendo, sempre que necessários meios de cada uma dessas organizações eram acionados e controlados durante todas a atividades por pessoal especializado localizado no COSI. Alocação de Meios A alocação de meios seguiu o mesmo princípio já adotado pela PM, acrescido do fato de que com as imagens dos sensores, a ordem para acionamento dos meios policiais passou a ser baseada em uma imagem real, atualizada, com informações adequadas e precisas sobre o tipo de ameaça, a quantidade de pessoas, o posicionamento no terreno, o tipo de armamento, enfim todas as informações necessárias. Visualizada a atividade criminosa dentro do campo focal do dirigível, viaturas adequadamente preparadas e cientes da ameaça presente eram acionadas e colocadas no encalço dos criminosos. O dirigível, seguindo a orientação dos CAP, era posicionado de acordo a manter a visada durante todo o trajeto ou ação. Essa sistemática foi empregada no Complexo do Alemão, em São Gonçalo, no controle das rebeliões em Bangu, no Dendê, no Santa Marta, na Cidade de Deus, na Barreira do Vasco e em diversas outras áreas. A atividade de inteligência permitiu a obtenção de resultados que colaboraram para o desmantelamento de quadrilhas criminosas nos diversos pontos. Os locais de maior relevância foram: Complexo do Alemão (Elias Maluco); Morro do Dendê; Barreira do Vasco; São Gonçalo; e Cidade deDeus. A visualização da cena, a gravação de imagens serviu para comprovar a atividade criminosa, a expedição de mandatos de prisão e a participação de meliantes e policiais em atividades ilegais. Com essas possibilidades e características o aparato policial foi capaz de agir sempre em antecipação, com maior flexibilidade e com surpresa tática e técnica, o que permitiu operações com poucas baixas e excelentes resultados. Decisão Após a instalação do sistema, todas as decisões tomadas depois da instalação dos sistema e que foram apoiadas nos fatos e análises executadas com apoio dos meios de vigilância e inteligência disponíveis foram mais acertadas. Várias vezes no decorrer do programa o dirigível foi acionado para verificar a ocorrência de tumultos em vias públicas e, em quase todas as situações ficou comprovado que nada havia e era desnecessário acionar qualquer meio policial. Em outras ocasiões o dirigível e seus sensores foram utilizados em missões de inteligência, com filmagens à distância, para fornecer subsídios para as autoridades. Esse foi o caso nas investigações da Barreira do Vasco e na Cidade de Deus. Essas imagens permitiram que o aparato policial e autoridades constituídas tomassem decisões baseadas em fatos comprovados e, com isso, agilizaram o processo investigatório e a captura dos criminosos. As possibilidades de vigilância permitiram que outras cenas fossem exploradas, incêndios, queimadas, trânsito, acidentes e agressões ao meio-ambiente. Essas externalidades abrem todo um novo capítulo ainda inexplorado pelas autoridades. A constatação de poluição na área da Baía da Guanabara que foram feitas com a câmera IR do dirigível foi de grande valia para os órgãos de controle do meio-ambiente. A indicação correta e precisa de pontos de incêndio e queimada nas matas cariocas permitiram que o Corpo de Bombeiros atuasse com presteza e agilidade. Todas essas decisões foram tomadas com maior clareza e rapidez graças às imagens fornecidas pelo dirigível PAX RIO da SSP-RJ. Êxitos Operacionais Rebelião em Bangu I Foi feita monitoração de diversas áreas da cidade onde aconteciam protestos pela invasão da polícia e pelas mortes. As área vigiadas foram Acari, Bangu, Campo Grande, Maré etc. O dirigível acompanhou equipes da CORE e manteve a SSP-RJ informada de todas as movimentações na área. Transporte de presos para o fórum
de Bangu Incêndio em prédio no centro
da cidade Desabamento de prédio na 1º
de Março Captura do Elias Maluco A operação como um todo foi apoiada pelo PAX RIO desde a chegada da polícia até a saída. O ápice foi a captura de Elias, sozinho e desarmado. No dia da captura o PAX RIO sobrevoou o Complexo do Alemão por 14 horas e forneceu todas as imagens para a SSP-RJ, possibilitando um apurado controle da operação e uma melhor movimentação das forças policiais empregadas. Nesta operação o PAX RIO fez contato direto com os delegados encarregados da operação através dos equipamentos de comunicação fornecidos pela SSP-RJ. Empregando a câmera IR foi possível vigiar o movimento de pessoas e veículos durante a noite e notificar qualquer atividade suspeita aos coordenadores da operação. Rebelião em Bangu III Foi filmada toda a concentração
de presos no pátio da prisão para contagem e procedimentos
de controle. Vigilância do Complexo do Alemão A presença do PAX RIO naquela região tem sido constante e marcante sob todos os aspectos. Seja pela grande coleta de imagens e informações, seja pela capacidade de mostrar em tempo real a situação, seja pela presença ostensiva da Autoridade Policial. Vigilância da Barreira do Vasco Vigilância de áreas em
Niterói e São Gonçalo Procura de policial seqüestrado
em Santa Teresa Vigilância das eleições
2002 Atividade no Morro do Boréu Rebelião na Casa de Custódia
em Bangu Vigilância do Morro do Dendê Missão de inteligência
para o 16º BPM Missão de inteligência
para a SSI Ações do dirigível fora da aérea de segurança Vigilância da Baía de Guanabara
em busca de vazamentos de óleo Apoio de vigilância em áreas
de incêndio - meio-ambiente Apoio ao tráfego aéreo
Desse modo, ao longo de todo o programa foram voadas mais de 1050 horas, com gravação de mais de 800 horas de fita, coletando imagens, informações, atualizando o banco de dados da área de inteligência, participando de diversas operações policiais de vulto e operando e desenvolvendo o conceito C3I dentro da estrutura da SSP-RJ. Estas imagens são a mostra de uma
nova realidade, onde a tecnologia de ponta aliada ao planejamento estratégico
e tático podem fazer a diferença no combate ao crime a na
proteção do cidadão. |